quinta-feira, 8 de março de 2012

Antídoto: A cura para a igreja evangélica brasileira.

Antídoto: A cura para a igreja evangélica brasileira

.
Por Leonardo Gonçalves

Que a igreja brasileira não está vivendo o seu melhor momento, não é nenhuma novidade. Basta pesquisar a palavra “igreja” no Google para se dar conta do quanto a instituição carece de integridade e doutrinamento. No entanto, creio que apenas criticar os novos rumos do cristianismo tupiniquim, com seus pastores-apóstolos, profetas mercenários e pregadores cheios de estrelismo, não ajuda a resolver o problema. Obviamente, sei reconhecer o valor de uma crítica bem articulada, mas desprezo a atitude de quem somente destrói sem edificar nada no lugar, apenas pelo prazer de ver os escombros. A agressividade de quem só ataca sem oferecer uma resposta satisfatória à problemática eclesiástica e a hostilidade de quem aponta o problema, mas é incapaz de (tal como Neemias) ser a resposta ao próprio clamor é tão reprovável quanto a conduta dos mercadores da fé. Em síntese, tal atitude redunda em hipocrisia e grande desejo de aparecer às expensas daqueles que são objeto da sua fúria voraz.

Nesse ínterim, mentes esclarecidas argumentam contra o atual estado das coisas, mas na maioria dos casos, esquece-se de dizer como as coisas deveriam ser. Preocupam-se em execrar os farsantes, mas não indicam uma outra via, uma possível eleição. Deste modo, acaba-se promovendo uma generalização banal. A “apologética denuncista”, tão popular nos últimos anos, acaba fortalecendo o estereótipo latente no imaginário popular de que todo pastor é ladrão e que igreja evangélica é sinônimo de bandalheira.

Não quero assumir nenhuma postura messiânica. Não tenho o brilhantismo de Lutero, nem o zelo teológico de Calvino. Falta-me a coragem de John Huss e Wyclyffe, e sobra-me o pedantismo e a inconstância de Pedro. Sendo assim, ninguém mais improvável do que eu, para querer dogmatizar a apologética ou indicar a única via possível para a restauração da igreja evangélica neste país. Apesar disso, a paixão que tenho pela igreja, somada a pouca experiência de 10 anos como plantador de igreja, me conferem um pouco de autoridade para abordar este tema tão polemico. E visto que tenho falado sobre indicar o caminho sobre o qual a igreja evangélica brasileira deve trilhar para desenvolver-se de modo saudável, passarei a discorrer sobre aqueles tópicos que, a meu ver, deveriam ser tratados com mais responsabilidade pelos líderes eclesiásticos do nosso Brasil.

Primeiramente, a igreja brasileira precisa de pastores com vivencia apologética. Observe que não estou falando de pregação apologética, mas de vivenciaapologética. Não creio que pregar contra a rosa milagrosa, o sabonete ungido e a fogueira santa seja mais necessário que a integridade ministerial. Já dizia um antigo pastor: “uma grama de testemunho vale mais que um quilo de pregação”. A crise da igreja evangélica brasileira não é apenas teológica; ela é moral. A própria teologia neopentecostal com sua ênfase na prosperidade adquirida através de vultosas ofertas nada mais é do que o reflexo do caráter hediondo dos seus arautos, verdadeiros estelionatários que já estariam atrás das grades, se este fosse um país sério. A vida do ministro sempre falará mais alto que seu sermão, razão pela qual sua vida, e não apenas o seu sermão, deve ter ênfase apologética. Pietismo, santidade, pudor, vergonha na cara, devem ser buscados mais do que as unções, os poderes, as línguas e as profecias.

Em segundo lugar, nossa liderança precisa ser mais tolerante com respeito à liturgia, adequando-se ao mundo contemporâneo. Precisamos deixar de perder tempo discutindo se podemos ou não dançar, se o rock é de Deus ou do diabo, se devemos ou não aplaudir, e concentrar-nos mais no evangelho de Jesus. Peço desculpas pelo tom de desprezo, mas sinceramente acho ridículas as discussões presbiterianas sobre “salmodia exclusiva”, e risível o argumento pentecostal de que a verdadeira musica sacra foi escrita há cem anos. Se temos como objetivo comunicar as verdades espirituais aos homens e mulheres do nosso tempo, precisamos de uma liturgia que se adapte as necessidades do mundo contemporâneo.

Logo, em terceiro lugar, penso que a igreja evangélica precisa de contextualização missionária. Isso decorre do segundo ponto: O povo brasileiro é ímpar por causa da sua diversidade cultural, e isso vai refletir na igreja. No entanto, a maioria dos pastores brasileiros parecem insensíveis a essa diversidade cultural, e acabam impondo a linguagem e os costumes do “gueto gospel” aos incrédulos. Dessa forma, criam uma geração de crentes estereotipados, meros papagaios de chavões de mau gosto: “Fala vaso!”, “Oh, varão, tem fogo aí?”, e outras fraseologias que são acessíveis apenas aos iniciados e que excluem a todos os demais. Precisamos de uma igreja cuja pregação se adapte a linguagem, contexto e necessidades do povo brasileiro.

Precisamos resgatar a pregação cristocentrica, a mensagem da justificação pela fé, e enfatizar estas verdades em todo tempo, pois elas são o cerne da teologia protestante. Nossas igrejas não possuem ênfase cristocentrica em seus ensinos. Aliás, para ser sincero, Cristo é um personagem coadjuvante nas pregações hodiernas. Fala-se muito sobre Davi, Sansão, Elias e Eliseu, profetas e reis do Antigo Testamento, mas muito pouco se fala sobre os méritos da cruz e sua aplicação na vida do crente. A justificação pela fé permanece apenas na qualidade de dogma, pois na prática o que vale mesmo é a teologia da barganha, da permuta, do “fiz por merecer”. A doutrina da justificação pela fé é o contraponto para refutar as heresias da prosperidade e a manipulação do sagrado, tão propaladas no meio pentecostal e mais recentemente pelos neopentecostais, sendo esta mais uma razão pela qual ela deve ser enfatizada.

Em quinto lugar, se queremos ser realmente bíblicos em nossa forma e próposito, precisamos elaborar uma eclesiologia menos centralizadora, que faça jus a doutrina protestante do sacerdócio de todos os crentes e introduza os leigos no ministério cristão, servindo com seus dons. Uma das maneiras de conseguir isso é através de pequenos grupos, reuniões caseiras, criando uma estrutura que promova a comunhão ao mesmo tempo em que permite que os crentes descubram seus talentos e ministrem a outros. Ao fazê-lo, estaremos permitindo que “a justa operação de cada parte produza o crescimento” (ênfase acrescentada).

Finalmente, creio que devemos ser sensíveis o suficiente para perceber até que ponto vale à pena lutar contra o sistema, e em que ponto é necessário abandonar o barco. Como disse no início deste texto, opor-se ao mercantilismo evangélico, as barganhas e vida pecaminosa dos líderes eclesiásticos, sem dispor o próprio coração para ser você mesmo a cura que a igreja precisa, nada mais é do que palavrório vão. As “igrejas S/A” tem ferido a milhares de pessoas, e é preciso que se levantem servos de Deus para apascentar, restaurar e re-orientar estas pessoas. Há uma grande necessidade de igrejas sadias no nosso país e eu oro para que alguns dos críticos de hoje ultrapassem a barreira da crítica pela crítica e se proponham a ser a mudança que a igreja precisa. Oro para que muitos dos que hoje acusam a igreja de tantos pecados, se disponham a ser, eles mesmos, os líderes que anelam ver.

É claro que há muitos outros aspectos em que a igreja brasileira pode e deve melhorar, mas creio que se conseguirmos aplicar estes, já teremos feito um grande progresso.


***
Leonardo Gonçalves ama a igreja e deseja amá-la cada vez mais. Sonha com uma igreja diferente e se dispôs a ser – ele mesmo – a resposta da sua oração. E você? Será que você está disposto a se transformar na igreja que você sonha ver? Está disposto a se transformar no líder ético e espiritual que você anela ter? #isso_é_reforma!

Fonte: [ Púlpito Cristão ]

sexta-feira, 2 de março de 2012

PROFESSOR VALDIR REVELA A VERDADE DOS BASTIDORES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE.1ª PARTE.








A PAZ DO SENHOR PARA TODOS.


Esse assunto "teologia" da prosperidade, é de longe o assunto mais comentado, mais publicado, o mais debatido nos blogs apologéticos cristãos, também em revistas cristãs e sem cunho religioso,  a C.P.A.D. (Casa Publicadora das Assembléias de Deus), no tocante a esse ultimo trimestre publicou uma lição de Escola Bíblica Dominical (13 lições) para ensinar aos alunos frequentadores de E.B.D. o que é esse movimento, visão, unção ou qualquer que seja o nome que se atribua a esse já denominado, fenômeno religioso dentro das igrejas cristãs principalmente das neo pentecostais. Seja o que for esse movimento ele já despertou, quase que posso dizer na sua totalidade uma preocupação do que esse "mover financeiro" está causando na igreja evangélica no Brasil, pastores das mais variadas denominações desse país, já se posicionaram radicalmente contra esse ensino, livros de grandes apologétas cristãos, já foram escritos denunciando esse "movimento" dentro das igrejas; mas o porque desse alarde todo? O que essa "teologia" tem de tanto "mal assim"?!!! afinal de contas, quem não gostaria de ter uma boa casa? um bom carro, de preferência um Camaro 2012? uma conta bancária sempre no positivo com sobras para realizar viagens? as contas pagas em dia? os filhos na faculdade ou em uma escola particular? ter saúde?  Afinal de contas esses são anseios legítimos, de pais de família comprometidos com o bem estar da mesma, não é mesmo?  Pois bem se não é pecado sonhar com tudo isso, o porque essa "teologia" é tão combatida? afinal de contas não é isso que ela promete?
Aparentemente não há nada de mal em ser próspero, desde de que ela seja alcançada por intermédio de trabalho, esforço (suor do rosto), e não de campanhas e determinações via púlpito no intuito de viabilizar o Poder de Deus para favorecimento dos fiéis frequentadores daquela instituição religiosa, ou o quanto aquela pessoa é fiel a "visão" da igreja, isso é manipulação das consciências!
O que há de errado com essa "teologia"??
Bom você já deve ter notado no texto que sempre que eu menciono "teologia" da prosperidade eu a coloco entre "aspas", porque já de inicio de conversa eu não a posso considera-la uma teologia no sentido mais amplo da palavra, pois essa palavra significa: "Teologia (do grego θεóς, transl. theos = "divindade" + λóγος, logos = "palavra", por extensão, "estudo, análise, consideração, questionamento sobre alguma coisa ou algo"), no sentido literal, é o estudo sobre a divindade.
Simplificando: Estudo sobre Deus.


E essa "teologia" não o faz, ela muito pelo contrário, ela afasta as pessoas de um relacionamento real com o Deus que desceu aqui nesse mundo, encarnou e se relacionou com o ser humano, e através do seu sacrifício salvívico resgatou o homem perdido. É um desvio doutrinário, ideológico e até filosófico da mensagem central do Evangelho de Cristo: A SALVAÇÃO. 
Baseado nessa premissa, eu posso te dizer com toda a certeza, o maior desafio da Igreja de Cristo no Brasil, é o de varrer essa "teologia" de nossas igrejas....mas a missão é cruel, é desumana, e até em certo sentido "impossível" de se realizar, pois os "grandes" figurões do mundo evangélico, os "grandes" líderes, possuem o poder da mídia televisiva, com seus programas "evangélicos", e disseminam essa "teologia" nos lares cristãos, são homens habéis em palavras de persuasão das massas, afinal de contas, quem vai questionar alguém que em nome de Jesus advoga para si que ele possui a "nova unção", "nova visão", e para corroborar com seu discurso, ele exibe em cadeia nacional de televisão sua nova aquisição, um jatinho, uma empresa que ele construiu ou comprou! Quem irá questionar uma pessoa que diz: "Deus me falou...."e ainda mais se ele tiver 'projeção'???? ora ninguém....mas também ninguém ou quase isso, para, pra analizar nas Escrituras Sagradas se o que aquele individuo está "pregando" é o Evangelho de Cristo ou é um outro "evangelho" Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?
Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram?
Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio? 


Gálatas 3:1-3

Eu pessoalmente já percebi isso, já sofri isso, que as pessoas (membros), estão tão cegos e enganados por esse falso evangelho, que qualquer questionamento contrário é tido como; isso eu já ouvi ( ele tá fora da visão, ele é rebelde, ele tá em pecado, ele é orgulhoso, ele é arrogante) FARISEUS......... ACORDEM....esse não é o Evangelho de Jesus......

Quando você se posiciona contrário a essa praga  dentro das igrejas logo logo vão tentar te calar, se não tiverem argumento Bíblico/Teológico para se opor ao seu ensino (principalmente se você for professor  da E.B.D.) o que eles não possuem mesmo, pois são rasos em Bíblia, fracos teologicamente, eles tentarão te caluniar, te acusar de algum "pecado" "escondido", vão te dar um gelo (kkkk), pois o evangelho de Jesus não entrou neles...não causou transformação....o que eles querem é : prosperidade, eu quero o de volta  o que é meu, restitui, tome posse....Desse evangelho eu não quero não. Voce percebe isso quando pessoas que frequentava o culto de ensino (E.B.D.), deixam de ir, e te apresenta todo o tipo de desculpa.....mas quando esse culto de ensino (E.B.D.) é substituido por um de "prosperidade", essas mesmas pessoas estão lá......frequentadores assíduos de campanhas milagreiras....é isso o que o povo quer.....MAS NÃO É O QUE DEUS QUER.....esse tipo de 'atividade' liturgica não acrescenta nada as nossas vidas. o ensino correto das Escrituras, é isso que produz VIDA ESPIRITUAL, produz o Verdadeiro Avivamento. Quando Neemias e Esdras quiseram que o povo de Israel tivessem um verdadeiro avivamento, foi o ensino das Escrituras que ele usaram para promover esse avivamento, e não campanhasinhas sem sentido, sem poder de Deus que o fazem...ACORDEM....VOLTEM para as escrituras.....

Essa é apenas parte dessa fatídica história, desse mal que está nas entranhas da igreja que se diz evangélica no Brasil.......

QUE DEUS TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS....

Valdir Manente.





quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

RESTITUI...EU QUERO O DE VOLTA O QUE É MEU....

Restitui-me, Senhor!

Ouvi uma música cristã hoje de um CD que comprei.

Fala de restituição. Bonita melodia. Mas fiquei pensando: restituir o quê? O que posso pedir que me é de direito? O que posso ter perdido e que não era para ser?

Pensei bem - eu fui servo de mim mesmo, das minhas paixões, de uma consciência sujeita aos apetites meramente animais... e agora fui feito servo de Cristo. 

E, uma vez servo, escravo,... pergunto: um escravo tem direito? Então... restituir o quê?
Mas não parei ai.

Lendo as Escrituras, acabo por descobrir que Deus, por Ele mesmo e Sua graça nos leva sempre, de graça em graça ao crescimento. Com a ajuda de cada membro, de cada junta e ligadura, com o exercício dos dons e das experiências... cresço até que um dia, alcance a estatura do Varão Perfeito. 

Ora, nesse processo, perdemos coisas, vemos coisas abaláveis sendo abaladas e caírem ao chão. E a pergunta vem: O que vou pedir pra que Deus me restitua?

Será que o assombrado Jó, pediria em sã consciência, depois de, passar o que passou e, segundo ele próprio ver com os olhos, Aquele de quem só ouvira falar? Acho que nem os bens e possessões que perdera - com a permissão de Deus e para um propósito que é sempre bom, perfeito e agradável - fariam-no desejar voltar a um patamar abaixo, a uma condição anterior à tal revelação. 

Se Deus nos faz andar em novidade de vida, a experimentar o novo - o novo que não vem de fora, mas de dentro, uma nova visão Dele, da Sua graça, da vida, das circunstâncias, do que é eterno, uma nova mente, uma nova consciência formada segundo o Evangelho, pergunto: Restituir-nos o quê?

Ora, de capa a capa, do Antigo ao Novo Testamento, lemos o apelo "Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas, porque estou fazendo coisa nova", ou coisas do tipo: "Quem lança mão do arado e olha pra trás não é digno de Mim", ou como Paulo afirmava: "Uma coisa faço - esquecendo-me das coisas que para trás ficam prossigo pra frente", o que pode ser esse pedido "Restitui-me"?

Francamente, tudo o que mais tenho pedido é que Deus me faça acontecer o novo e não reviver o que é velho. Custe o que custar, doa o que doer, quero o novo de Deus.

E, se é pra pedir restituição, pergunto: "Será que podem restituir-me o dinheiro que gastei no CD?" 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A verdade sobre as primícia$ -Leia a Bíblia e não seja escravo em sua religião










A verdade sobre as primícia$
Leia a Bíblia e não seja escravo em sua religião
(Alan Andreani)


Nos últimos anos observamos uma judaização do cristianismo, chegando ao ponto de existir uma bandeira de Israel em algumas igrejas. Muitas pessoas que se dizem fiéis à Palavra de Deus retrocederam na fé, negando o sacrifício de Cristo e adotando práticas judaicas (muitas delas, não realizadas nem mesmo pelos judeus atuais). Além do dízimo, que já foi discutido em outro texto, a moda do século 21 é a cobrança das Primícias. Mas será que há respaldo bíblico para essa oferta? A resposta é simples e direta: Não! Faremos um estudo do Velho e do Novo Testamento para mostrar que essa é apenas mais uma das doutrinas dos “comerciantes da fé”.
“Primícias” tem um significado de “princípio” ou de “parte inicial” de algo, seja o que for. Porém, o que é pregado nas igrejas que seguem essa doutrina é que Deus exige as primícias de nossos bens materiais (o que é coerente com as teologias modernas, como a da prosperidade), enquanto a nossa vida espiritual fica em segundo plano. Assim, realizam “culto das primícias”, cantam músicas com esse tema, como a famosa “Tuas primícias”, de Regis Danese, tudo para incentivar os fiéis a “abrirem o bolso”. Nessas ocasiões os fiéis devem entregar no templo uma quantia equivalente a um dia de trabalho, ou seja, quem ganha mil reais por mês, leva pouco mais de 33 reais, dinheiro que fica para a igreja ou, em alguns lugares, é dado para o pastor, como um tipo de salário. O argumento que utilizam para este último caso é que devemos repartir nossos bens com aquele que nos instrui (Gálatas 6:6). Procurando no dicionário, encontramos a definição de “repartir”: “fazer em partes, dando a cada pessoa o que, por direito ou justiça, lhe pertence”. Pois bem, imagine uma igreja com 500 pessoas que recebem mil reais ao mês. Se cada uma der 33 reais (o valor das Primícias) ao pastor, ele ficará com o bolso cheio (16,5 mil reais ao mês), enquanto os fiéis teriam que sobreviver com 967 (valor superestimado, pois não estão inclusos os dízimos e as “n” ofertas pedidas). 
O “repartir”, ensinado por Paulo, não visava à mordomia, nem à riqueza e tinha objetivos claros: para que ninguém (também vale para aqueles que nos instruem na fé) tivesse necessidade de nada (Atos 11:29; 24:17 e Romanos 15:26) e para que os irmãos vivessem em igualdade (essa é a idéia desde a instituição dos dízimos, pois as tribos de Israel ficavam com aproximadamente a mesma quantia de alimentos, sem que nenhuma fizesse muito “sacrifício” para contribuir). No exemplo dado no parágrafo anterior, se cada um contribuir com 5 reais (o que não faria falta a essas pessoas) para o sustento de seu líder religioso (afinal digno é o trabalhador do seu salário - Lucas 10:7 e I Coríntios 9:14), haverá um pagamento digno a ele (estando de acordo com I Timóteo 5:17-18). Mas lembre-se: a “dupla honra”, citada na carta a Timóteo, é um reconhecimento por parte dos irmãos e não, uma imposição. Se foi Deus quem colocou uma pessoa para trabalhar em Sua obra, não tem por que esse indivíduo temer ou cobrar o seu sustento, pois o Senhor sempre cuida dos Seus. Porém, se está à frente de um rebanho devido a amizade ou a parentesco com X ou Y, terá que tomar cuidado para não passar fome mesmo, pois Deus não trabalha dessa forma.
Há ainda outro texto utilizado para afirmar que as primícias devem ser usufruídas pelo pastor, que está em
Ezequiel 44:30. Nele, o profeta afirma que a primeira porção das ofertas (inclusive das primícias) seria destinada aos sacerdotes. Isso não era nada novo, pois em Levítico 23:10 já existia essa ordem. O profeta Ezequiel teve um importante papel nas reformas de Israel após a queda de Jerusalém, em 587 a.C. Lutou com todas as suas forças para reconstruir o judaísmo, ensinando o povo a adorar a Deus da forma correta, para que todo aquele mal não voltasse a assolá-los. Vale destacar que Ezequiel não trabalhava na criação de regras para os israelitas e sim, na recuperação delas, pois haviam sido “esquecidas” com o tempo. Mas, voltando ao assunto, afirmar que os líderes religiosos atuais são esses sacerdotes é inaceitável! Se lermos I Pedro 2:9, veremos que todos nós somos sacerdotes (segundo a ordem de Melquisedeque e não, de Levi, como ocorria com os israelitas) e Cristo é o sumo sacerdote (Hebreus 6:20). 
Talvez o leitor, mesmo concordando que as primícias não são para os pastores ou afins, esteja ainda com uma dúvida em mente: “Então são ofertas destinadas ao templo?” Para esclarecermos, vejamos o contexto histórico e social do povo hebreu:
Havia sete festas anuais entre os hebreus, sendo que eram três as festas agrícolas principais, que foram celebradas a partir da entrada em Canaã: a Festa dos Asmos (era uma parte da Páscoa judaica), na primavera; a Festa das Primícias, das Semanas ou de Pentecostes, que durava 7 semanas e que marcava a época da colheita do trigo; a Festa das Tendas, da Colheita ou dos Tabernáculos, que era realizada no outono e que celebrava a colheita de uvas e de azeitonas. Em cada uma, algo era oferecido a Deus, com um determinado objetivo (o sacrifício de um animal, para purificação; a entrega de cereais, como agradecimento pela colheita...). Assim, fica fácil entender que essas festas faziam parte da cultura do povo hebreu e por isso, tinham tanto destaque. 
Particularmente, como não sou judeu, não tenho que comemorar nenhuma dessas festas, mas muitos pseudo-cristãos insistem na “história” das primícias, citando vários trechos do Antigo Testamento:

- Gênesis 4:3,4 (Deus não teria recebido a oferta de Caim por não ser a primeira parte dos frutos).
A bíblia não relata o motivo da rejeição da oferta de Caim, o que dá margem para inúmeras interpretações. Obviamente, não faltaria a opinião de que foi rejeitada por não ser
o primeiro fruto da terra. Porém não é o que o texto diz. Pelo contrário, a palavra “também” (“E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas”) sugere que ambos levaram as primícias do que produziram. Sendo assim, o motivo da não aceitação da oferta deve ter sido outro. Em I João 3:11,12 lemos: “[Caim]...era do maligno”, e ainda: “as suas obras eram más”. Aqui temos uma “dica” importante: Caim tinha um coração corrompido, mau, e isso refletia em suas obras. Como Deus aceitaria uma oferta de alguém nessa situação? Impossível! Mas, de qualquer forma, pelo fato de estarmos na Graça, essa discussão não é relevante para o nosso assunto.

- Êxodo 23:19 = “As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do SENHOR teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.” 
- Provérbios 3:9,10 = “Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; e se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.”
Não estamos sujeitos à Lei, portanto esses textos jamais devem ser usados para defender ou condenar nossas ações. Na Lei havia promessas materiais; na Graça há promessas espirituais. Porém, para as pessoas que insistem em defender essas normas, por que adotam só o que convém e ignoram os demais versículos? Leiam também o versículo 18 do texto de Êxodo e, se quiserem voltar a oferecer sacrifícios de animais e guardar o sábado, por exemplo, terão toda a liberdade para exigirem também as primícias. 
O segundo versículo ilustra bem a crença dos hebreus: ao santificarem ao Senhor as primícias, o restante da produção também ficaria santificada. Assim, a benção de Deus seria abundante entre eles. 
Há inúmeros outros textos que falam das primícias, porém, todos destinados aos israelitas. Não comentarei um por um para não ficar repetitivo, mas listarei alguns:

- Neemias 10:34,35; II Crônicas 31:5; Números 15:17-21; Deuteronômio 18:3-5; Deuteronômio 26:10; Números 18:12; Neemias 13:31.

Fico abismado quando muitos pastores estufam o peito e afirmam: “as primícias existem também no Novo Testamento, logo, é nosso dever entregá-las”. E citam:

- Romanos 8:23 = “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.”
Com todo respeito, acho que Deus “coça a cabeça” quando alguém associa as primícias do Novo Testamento àquela oferta da Antiga Aliança. O Texto é muito claro. São primícias do Espírito! É como se essas primícias fossem uma “palhinha”, uma amostra de toda a Glória que nos espera, citada no versículo 18.

- Romanos 11:16 = “E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são.”
Aqui, novamente, não há ensino algum sobre ofertas. Pelo contrário, o ensino (em linguagem metafórica) envolve questões espirituais, mais precisamente, a salvação. Paulo diz que se os judeus, de início (representados pelas primícias, a matéria prima), eram santos, também o eram os gentios (a massa pronta). Há ainda outra comparação, feita pelo apóstolo: os judeus seriam uma oliveira cultivada, que teria ramos tirados (os incrédulos); os gentios seriam uma oliveira silvestre (“brava”), mas enxertada na oliveira boa. Com isso, Paulo passou duas mensagens principais: 1 - Aqueles que aceitassem a mensagem de Jesus posteriormente (gentios) seriam tão santos quanto os que deram ouvidos a essa mensagem muito tempo antes (judeus convertidos); 2 – Os gentios que aceitaram o Evangelho não deveriam vangloriar-se e acharem-se melhores do que os judeus incrédulos, pois o que determinou a salvação deles foi a fé e não, méritos pessoais. Outros textos, como I Coríntios 15:20 e Tiago 1:18, dispensam comentários, pois o significado de “primícias” é bem claro e nada tem a ver com ofertas. 
No período de vigência da lei mosaica (e até mesmo antes dela), a consagração da primeira parte da produção a Deus era uma forma de reconhecer que Ele era o que tinham de mais precioso na vida. Era um exercício de fé e ao mesmo tempo, um “lembrete” a esse povo de coração duro que Deus deve estar sempre em primeiro lugar. Quando Jesus veio ao mundo, deixou esse mesmo ensino (Mateus 6:33), porém, a diferença foi que jamais instituiu uma regra ou um rito para que provássemos isso. O “amar a Deus sobre todas as coisas” está baseado não na Lei (repleta de cerimônias), mas na Graça, que ensina obediência e entrega de frutos espirituais. 
Alguns alegam que as ofertas voluntárias (essas sim tem apoio no Evangelho) são insuficientes para a manutenção do templo, para as atividades que a igreja mantém e para o sustento dos obreiros. Assim, jamais poderiam ensinar que o dízimo não é válido na atualidade (mesmo com todas as evidências) ou que não existe mais oferta de primícias. Ao contrário, ensinam que devemos contribuir com a maior quantidade possível, colocando dinheiro em todos os envelopes que entregam (cada um é uma oferta diferente) e, dessa forma, receberemos muito mais de Deus. Pois é, muitos rebaixam o Evangelho a isso, o que é lamentável, e inúmeras almas deixam de seguir a Cristo por causa desse “cristianismo às avessas”. Sugiro que seja reduzido o tempo dos programas na TV (afinal, a maior parte deles é pra pedir dinheiro ou para enrolar o povo, passando a mensagem que o indivíduo daquela igreja tem bom emprego, não tem problemas, recebe curas... e o que Jesus mandou pregar, nada!), que não sejam construídos templos luxuosos, que não seja dado fortunas para cantores e para pregadores, que o salário dos pastores não esteja na casa de dezenas de salários mínimos... Posso garantir que, se estas medidas forem tomadas, as ofertas espontâneas dos fiéis serão suficientes e o melhor de tudo: deixaremos de transgredir vários ensinos bíblicos.
Para finalizar, sobre o tema deste texto, por que não entregamos as primícias dos frutos do espírito (citados em Gálatas 5:22) ao Senhor? Ou melhor, porque não dedicamos a totalidade desses frutos a Ele? Esse seria, com certeza, um ato louvável e que estaria de acordo com a Palavra de Deus. Saiamos de cima do muro, queridos! Ou somos judeus ou somos cristãos! Aceitar a Cristo e ficar preso à Lei não é o que o apóstolo Paulo nos ensinou. 
Negar-se a aceitar o dízimo e a oferta de primícias não é ser “mão de vaca”, é lutar pelo verdadeiro Evangelho, puro e simples. Alguns dizem que o motivo de alguns não concordarem com isso é o amor ao dinheiro, mas penso justamente o contrário: Quem cobra é que tem amor ao dinheiro! Se pregassem os ensinos de Jesus e dos apóstolos as pessoas teriam convicção de sua fé, veriam que não há ganância por parte das igrejas e dariam suas ofertas com amor, afinal, Deus jamais deixaria Sua obra perecer sem recursos. E lembrem-se, amados, devemos dar ofertas porque recebemos e nunca, para recebermos!

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Referências:
A Bíblia Viva
Bíblia Almeida Corrigida Fiel
Bíblia de Jerusalém

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

FAMOSO PREGADOR É REJEITADO EM CONGRESSOS, MARCHAS E GRANDES IGREJAS.

FAMOSO PREGADOR É REJEITADO









Uma certa igreja estava precisando de pastor. Um dos diáconos escreveu a carta seguinte, como se a tivesse recebido de um candidato e leu-a perante o conselho da igreja:
"Senhores: Sabendo que o púlpito da igreja está vago, gostaria de candidatar-me ao cargo. Tenho muitas qualificações que, penso, irão apreciar. Tenhosido abençoado com poder na pregação, e tenho tido bastante sucesso como escritor. Alguns dizem que sou bom administrador.
Algumas pessoas contudo, têm algumas coisas contra mim. Tenho mais de cinquenta anos de idade. Nunca fiquei no mesmo lugar, tive que deixar a cidade porque a obra causou tumulto e distúrbios. Tenho que admitir que estive na cadeia três ou quatro vezes, mas não por más ações. Minha saúde não é muito boa, embora eu aindaconsiga trabalhar muito. Tenho exercido minha profissão para pagar as despesas. As igrejas e que tenho pregado são pequenas, embora localizadas em várias cidades grandes.
Eu não tenho tido muita comunhão com os líderes religiosos das diversas cidades onde tenho pregado. Para falar a verdade alguns deles me levaram às barras do tribunal, e me atacaram fisicamente de maneira violenta.
Eu não sou muito bom para manter arquivos de registros. Muitos sabem que até já esqueci quem foi que batizei. Todavia, se os senhores quiserem me aceitar eu me esforçarei ao máximo, mesmo que seja obrigado a trabalhar para ajudar no meu sustento".
Depois de ler esta carta diante do conselho, o diácono perguntou se os oficiais estavam interessados nesse candidato. Eles replicaram que ele jamais serviria para aquela igreja; eles não queriam um homem enfermo, contencioso, turbulento, um presidiário descabeçado. Sou contrário a esse evangelho pregado no nosso País (Brasil), "o da prosperidade", "o de tomar posse", "o do quero o de volta o que é meu",  " o do faz chover" "restitui", "eu determino", cheguei até escrever um livro para uma igreja em uma cidade da Europa, perguntando o porque que eles tinham se esquecido de um estudo bíblico que eu tinha ministrado para eles. E ainda mais, a apresentação desse candidato era até um insulto para a igreja. Depois, perguntaram qual era o seu nome e receberam esta resposta: "O apóstolo Paulo".

domingo, 19 de fevereiro de 2012

JARGÕES "EVANGÉLICOS" E A BÍBLIA.






































Muitos “chavões” ou “jargões” têm invadido as igrejas evangélicas no Brasil. Frases como: “Eu te abençôo”, “Eu profetizo”, “Toma posse da bênção”, "Eu determino", "Eu declaro", entre outras, viraram formas arrogantes de os crentes exercitarem sua fé ou de se dirigirem a Deus, exigindo bênçãos imediatas. Preocupados com essa nova linguagem e com essa nova postura, faremos uma rápida análise do contexto evangélico atual, para que possamos entender o porquê dessas invencionices, praticadas durante as chamadas "ministrações", realizadas nos cultos. 
1. Os Jargões e as Doutrinas modernas




Muitos jargões surgiram como resultado de doutrinas controvertidas, como a crença em “maldição hereditária”, a “confissão positiva”, a “incubação de bênçãos”, a “teologia da prosperidade”, entre outros ensinamentos antibíblicos. Essas doutrinas equivocadas são usadas pelo inimigo para enganar e tirar dos cristãos a exclusividade da fé em Cristo, que é suficiente para libertar, curar e proteger os servos de Deus de toda força do mal. O desejo do inimigo é, também, sustentar, na mente dos evangélicos, essas inovações doutrinárias, contaminando-os com doutrinas de demônios.

1.1 Os jargões evangélicos e a confissão positiva 



A chamada "confissão positiva" coloca o peso das realizações espirituais "nas palavras pronunciadas e na atitude mental da pessoa", de quem está ministrando, desconsiderando a genuína fé em Deus (At 3:16; Hb 12:1-2). Essa atitude é apoiada na falsa crença que diz: “Há poder em suas palavras”, como se as palavras humanas tivessem poder de criar, de intervir, de mudar situações. A ênfase é posta no homem, e, raramente, o ministrante cita o poder da Palavra ou o poder de Deus (Rm 1:16-17). Há dezenas de livros ensinando os crentes a agirem assim. A maioria dos fiéis não percebe que está caminhando para o abismo espiritual, lugar daqueles que se afastam das verdades bíblicas. 

1.2 Os jargões evangélicos e a incubação de bênçãos 



A conhecida "Incubação de bênçãos" é um desdobramento da crença na "confissão positiva". Consiste no seguinte: O crente incauto é ensinado a "gerar uma imagem mental", direcionada para o alvo que se pretende alcançar; por exemplo: se o crente deseja um carro, deve engravidá-lo mentalmente, para que Deus possa conceder-lhe a graça. É ridículo, mas, infelizmente, centenas de crentes deixam-se enganar. Essa atitude tem levado muitas pessoas ao comodismo, à inércia espiritual e a uma atitude preguiçosa, pois já não se esforçam para conseguir, com trabalho duro e honesto, aquilo de que precisam. Pelo contrário, ficam à espera do momento em que a bênção irá “cair do céu”. Da crença na "incubação das bênçãos", surgiu a arrogante frase: "Toma posse da bênção”. Isso simplesmente não existe na palavra de Deus. 

1.3 Os jargões evangélicos e a mania de querer mandar em Deus 



Chavões tais como: “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, "Eu decreto", são pronunciados sem a menor reflexão ou sentido de responsabilidade. Os crentes e, infelizmente, muitos líderes, comportam-se como se fossem Deus; colocam o "EU" na frente e soltam palavras que não fazem parte das alianças divinas, das promessas divinas, dos oráculos divinos, dos estatutos divinos, da graça divina, da misericórdia divina, do amor divino. Falam da forma como Deus não mandou falar, declaram o que Deus não mandou declarar. “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, "Eu decreto" são expressões despidas da espiritualidade ensinada na palavra de Deus; são frases que revelam a altivez do coração humano, são palavras que, por não terem respaldo bíblico, não mudam situação alguma. 

Os cristãos precisam entender que não podem dar ordens a Deus! É Deus quem determina; é Deus quem decreta; é Deus quem declara; é Deus quem abençoa. É Deus; não sou eu. Ele é tudo; eu sou nada! Eu sou servo; Deus é Senhor! Ele é soberano; eu apenas obedeço à sua Palavra. A Deus, toda a glória! Assim, não é a minha vontade que deve prevalecer. Jesus não só nos ensinou a orar: ... seja feita a tua vontade (Mt 6:9 e 10), como também pôs em prática o que ensinou: ... todavia, faça-se a tua vontade ... (Mt 26:42). Pronunciar uma frase por deliberação própria e dar a entender que está autorizado por Deus, sem, na verdade, estar, é enganar o rebanho do Senhor. Deus não opera onde há engano; não compactua com enganadores e não terá por inocente aquele que tomar seu nome em vão (Êx 20:7). 

1.4 Os jargões evangélicos e o egocentrismo 



O que nos chama à atenção nessas manias, nessas invencionices, é o seguinte: quanto mais elas se alastram, mais o nome de Deus desaparece e o "EU" entra em cena. É trágico: os cristãos vão se tornando embrutecidos, achando que podem assumir o lugar do Altíssimo Deus. E não é este o incansável desejo de satanás? Veja, leitor: Cada vez mais os cristãos expressam o desejo de assumir o lugar de Cristo: “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, Eu te abençôo”. É o "EU" como centro da fé; é o egocentrismo religioso em marcha; é o endeusamento do egoísmo; é a divinização do homem. 
Os cristãos precisam entender que Jesus não permitiu que o seu "EU" aparecesse. Quando alguém o chamou de “bom Mestre”, ele desviou de si a atenção e disse: ... bom só há um, que é Deus ... (Mt 19:17). É preciso ter muito cuidado com o egocentrismo religioso: o "EU" atrai para o homem a glória que a Deus pertence, sendo o resultado de tal atitude a morte eterna. 

2. Reflexões Bíblicas Sobre Alguns Jargões



É necessário muita graça e sabedoria divina para discernirmos o ensino que é de Deus e o ensino que é do diabo. A ausência de estudos da palavra de Deus, ministrados de forma sistemática, tem dado oportunidade para a entrada de heresias, acompanhadas dos chavões religiosos, nas igrejas. Por isso, somos convidados a refletirmos sobre seguinte questão: A utilização dessas estranhas expressões tem o apoio da Bíblia? Avaliemos algumas delas:

2.1 "Eu te abenç
ôo” 

Os servos de Deus, em nome do Senhor Jesus, são bênção para as pessoas. A Bíblia diz: ... estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome ... (Mc 16:17). Todas as bênçãos divinas são derramadas através dos servos, em nome de Jesus. 

Em lugar de "Eu te abençôo", o cristão deve dizer: “O Senhor te abençoe”, conforme o ensino bíblico: Fala a Arão, e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel; dir-lhes-eis: O Senhor te abençoe e te guarde. (Nm 6:23 e 24). O nome do Senhor precisa ser invocado e não o "EU". O "EU" é carne; o "EU" é pecador; o "EU" é corrompido; o "EU" não é divino; é humano. 

Vejamos o complemento da palavra de Deus: Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei. (Nm 6:27). Vejamos também quem pode ordenar a bênção: ... porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl 133:3); ... então eu mandarei a minha bênção sobre vós ... (Lv 25:21); ... o Senhor mandará que a bênção esteja contigo ... (Dt 28:8); ... Eu o abençoarei (...) abençoarei os que o abençoarem ... (Gn 12:2-3). Será que Deus mudou? Não encontramos, nem no Antigo nem no Novo Testamento, alguém fazendo uso do “EU te abençôo”. Se esse ensino esquisito não vem da Bíblia, de onde vem? 

2.2 “Eu profetizo” 



O ministério profético cessou. Todos os profetas de Deus foram rejeitados e mortos (Mt 23:37). Segundo a palavra de Deus, o que existe hoje, na igreja do Senhor, é o "Dom da Profecia". Profecia, então, é um "Dom espiritual" (I Co 12:10), útil para que Deus fale de maneira sobrenatural às pessoas, assim como, pela "variedade de línguas", se fala sobrenaturalmente a Deus. O "Dom espiritual" é uma capacidade sobrenatural que atua nos filhos de Deus, quando Deus quer, e para o que ele achar proveitoso (I Co 12:11). Por isso, o uso da frase “Eu profetizo” é totalmente inadequado.

A Bíblia ensina que a profecia não depende do "EU" querer: ... porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirado pelo Espírito Santo. (II Pe 1:21). É bom observarmos que os homens santos de Deus também não usaram essa frase; ao contrário, quando profetizaram, disseram: Assim veio a mim a palavra do Senhor ... (Jr 1:4); Assim diz o Senhor ... (Jr 2:5; Is 56:1; 66:1); Ouví a palavra do Senhor ... (Jr 2:4); E veio a mim a palavra do Senhor (...) disse o Espírito Santo ... (At 13:2); ... Isto diz o Espírito Santo ... (At 21:11); Mas o Espírito expressamente diz ... (I Tm 4:1). Em todos os casos, não aparece o "EU", aparece a pessoa divina.

Pense bem: Como é que eu e você vamos profetizar bênçãos, sem que Deus tenha nos autorizado, em sua palavra, a Bíblia Sagrada? Como é que eu e você vamos profetizar, se, em nós mesmos, não há bênçãos para oferecermos, visto que a Palavra afirma que, em nossa natureza, não habita bem algum? Como é que eu e você vamos profetizar bênçãos em nosso nome, se a Bíblia afirma que toda boa dádiva, todo dom perfeito vem do alto, do Pai das luzes, em quem não há mudança e nem sombra de variação? 

Essa arrogância do "Eu te abençôo" deriva da falsa crença na "confissão positiva", que leva as pessoas a crerem em que há poder nas suas próprias palavras. Daí acharem que podem profetizar bênçãos a qualquer momento e a qualquer pessoa. A Bíblia condena essa falsa crença, pois somente Deus tem poder para abençoar.

Além de tudo isso, é estranho o fato de que as pessoas que vivem dizendo: "Eu profetizo" só "profetizem" bênçãos e mais bênçãos, sendo que, nas profecias bíblicas, o Espírito Santo inspirava os profetas a anunciarem bênçãos, castigos, catástrofes, juízos aos desobedientes à palavra de Deus, repreensão, etc. Não é estranho, hoje, as pessoas "profetizarem" somente bênçãos? Se Deus não muda, de onde está vindo a inspiração para essa gente "profetizar"? 

Outro fator a pensar é este: As pessoas que profetizam bênçãos não esclarecem que tipos de bênçãos. As profecias bíblicas sempre especificaram que tipo de bênção ou de juízo sobreviria ao povo. Mas, hoje, é só isto: "Eu te abençôo". É um procedimento totalmente fora da palavra de Deus. 

2.3 “Tomar posse da bênção” 



Não encontramos o uso dessa expressão no Antigo e nem no Novo Testamento. É um jargão de uso freqüente nas igrejas cujas reuniões têm como tema e propósito principal pregar e receber a prosperidade material, que eles reduzem a bênçãos. Os seus líderes não se preocupam com nutrir o rebanho com as verdades da palavra de Deus, que conduzem à salvação em Cristo Jesus (II Tm 3:14 e 15)

Essa frase surgiu para fortalecer a doutrina da "incubação de bênçãos". Como já vimos, neste texto, primeiramente a pessoa tem a “visualização positiva” da bênção desejada, isto é, concebe, em sua mente, o que ela quer receber, e, em seguida, é motivada a “tomar posse bênção”. 

A "incubação de bênçãos", a "visualização positiva" e o uso do termo “tomar posse da bênção” são atitudes que substituem a fé operante e a atuação divina, levando as pessoas a crerem em que tudo depende da força da mente e das palavras de poder pronunciadas por elas. Comparando isso com o procedimento de Jesus e dos apóstolos, afirmamos que é errado usar o termo "Toma posse da bênção" como meio de termos as bênçãos divinas concretizadas em nossa vida. Os discípulos de Jesus nunca cometeram esse tipo de equívoco, pois, em lugar de dizerem: "Toma posse da bênção”, eles disseram: ... se tu podes crer; tudo é possível ao que crê (Mc 9:23); ... Tende fé em Deus ... (Mc 11:22), ... grande é a tua fé! ... (Mt 9:28) ... Seja-vos feito segundo a vossa fé (Mt 9:23); Em nome de Cristo, o nazareno, levanta-te e anda ... (At 3:6). Assim, em vez de as bênçãos serem direcionadas para o homem, a palavra de Deus ensina as pessoas a direcionarem suas esperanças para Deus, através da fé.

Conclusão


Doutrinas heréticas têm ocupado a mente e o tempo de muitos crentes. Elas não conduzem as pessoas a confiarem no sacrifício do Calvário, na cruz do Senhor, no sangue de Jesus, que nos purifica de todo o pecado, mas levam as pessoas a se envolverem com várias práticas estranhas à Palavra inspirada pelo Espírito Santo. Essas heresias são caracterizadas, na Bíblia, como o “outro evangelho” (Gl 1:8), chamado, pelo apóstolo Paulo, de anátema ou maldito.

Conhecendo a origem de algumas doutrinas, como, por que e para que surgiram, e somando isso aos esclarecimentos feitos à luz da palavra de Deus, você deve pedir a Deus graça e sabedoria, para ensinar à igreja o caminho da luz e para conduzir os filhos de Deus dentro dos propósitos do evangelho da graça divina, para que não se percam, mas tenham a vida eterna.
___________________________________________________________________

As 5 expressões evangélicas mais sem sentido usadas nas Igrejas

As 5 expressões evangélicas mais sem sentido usadas nas Igrejas


5 – EXORTAR
Essa expressão é usada de modo equivocado em 100% das Igrejas. Segundo qualquer dicionário, exortar significa “animar, incentivar, estimular”. Logo, exortar o irmão que está em pecado na verdade não significa repreende-lo. Quem está vivendo no erro não precisa de um incentivo, mas de um auxílio.
4 – LEVITA
Essa morreu no Antigo Testamento. Os Levitas eram descendentes da Tribo de Levi, e eram encarregados de TODO O SERVIÇO no Templo. Mas Levita tem sido usado como sinônimo de músico. Besteira pura! Pra começar a música no serviço levítico era a menor das tarefas. A faxina, organização e carregar peso nas costas, isso sim era a parte mais importante do trabalho. Levando em conta que não somos judeus, não somos descendentes daquela tribo e também lembrando que o Templo não existe mais, então estamos dispensados do serviço levítico. Músico é músico. Ponto.

3 – PROFETA
Segundo a bíblia, profeta é aquele que revela a vontade de Deus ao povo. Simples assim. Porém tornou-se comum considerar que profeta é uma espécie de adivinho. Heresia pura! Considerando que TODA A REVELAÇÃO está em Cristo Jesus e que o conhecimento acerca desta revelação está contida nas escrituras, um profeta legítimo não deve adivinhar nada, mas proclamar de maneira compreensível as coisas que estão contidas na palavra de Deus. Por isso Paulo afirma que o dom de profetizar é o dom mais excelente. E se você ainda paga pau pra adivinhos, lembre-se que ADIVINHAÇÃO é pecado.

2 – UNÇÃO
Como dizem por aí, UNS SÃO, outros NÃO SÃO. Agora falando sério… a expressão unção virou clichê na boca de crente. É unção disso, unção daquilo… tudo sempre buscando atender ao interesse economico; ou garantindo o controle das massas sob o pretexto de que UNÇÃO É PODER. Pra começar no Novo Testamento a palavra unção só é usada no sentido de afirmar que Cristo está em nós. Logo, ter unção é ter Cristo. Em todos os outros contextos, há ensinos explícitos sobre o ato de “ungir” pessoas, que seria orar com óleo, pedindo a Deus por curas específicas. Há algum poder neste óleo? Não mesmo. Mas é bom lembrar que no contexto bíblico, óleo também era considerado remédio para muitas doenças.

1 – ATO PROFÉTICO
Essa é a campeã da lista de heresias. Se sua igreja usa essa expressão, então a teologia por aí tem sido profundamente contaminada com valores neopentecostais. Pra começar não existe a expressão “ato profético” na Bíblia. Essa expressão surgiu na verdade como uma tentativa de disfarçar o conceito de podemos fazer coisas que “movem a mão de Deus” na direção de nossos desejos. Ou seja, heresia pura.

Meu conselho é… cuidado com as expressões.
Por que as mínimas coisas podem revelar grandes besteiras.
Vão com Deus!

Ops! Como alguém poderia ir “sem Deus”, se Deus é onipresente e está em todos lugares mesmo antes de eu pensar em me mover?

Fonte: Ariovaldo Jr. (o outro)(?!?!)