sábado, 9 de julho de 2011

A MARCHA, UMA ANALISE BÍBLICA DO SEU PROPÓSITO.

Introdução

A "Marcha para Jesus" é um evento que acontece em muitas cidades do Brasil, patrocinado pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, e consiste basicamente numa grande passeata de evangélicos com shows gospel. O evento ocorre desde 1993 no Brasil e costumava dividir opiniões tanto na mídia secular quanto evangélica. Hoje, já mais arrefecida, a "Marcha" continua chamando a atenção, embora com menos intensidade. O presente artigo visa apresentar uma análise crítica, não do evento propriamente dito, mas das razões e argumentos apresentados para justificar o evento. Estas razões e argumentos, bem como informações institucionais e históricas sobre a Marcha estão disponíveis no site www.marchaparajesus.com.br (em 12/01/2005).

Histórico da Marcha para Jesus

Conforme informações do referido site, a primeira Marcha para Jesus aconteceu em 1987 na cidade de Londres (Inglaterra), e foi fundada pelo pastor Roger Forster, pelo cantor e compositor Graham Kendrick, Gerald Coates e Lynn Green. Portanto, não é uma invenção da Igreja Renascer do Brasil. Ela simplesmente importou a idéia para nossa pátria. No início da década de 90, a Marcha se tornara um evento de proporções continentais, ocorrendo em toda Europa. Em 1992 a Marcha para Jesus já se tornava em um movimento mundial, chegando a outros países da América, África e Ásia. No ano de 1993, chega a vez do Brasil realizar a sua primeira edição do evento, sob a orientação da Renascer. A partir daí, a cada ano, o evento toma mais e mais aspecto de show gospel, apresentação de artistas evangélicos e desfiles, sempre com muita dança ao som de pagode e axé ditos evangélicos. Em alguns locais, não sabemos se de acordo com a coordenação da Marcha ou não, políticos evangélicos têm aproveitado a oportunidade.

A Ideologia por Detrás da Marcha

Existe uma justificativa teológica elaborada para a Marcha, que procura abonar o evento à luz da Bíblia. Os pontos abaixo foram retirados do site Marcha para Jesus (www.marchaparajesus.com.br) e se constituem na "teologia da Marcha". Aliás, a maior parte deles se encontra exatamente debaixo do tópico "teologia" no site da Marcha. Segue um resumo dos principais argumentos, entre outros, seguidos de um breve comentário.
  1. A ordem de "marchar" aparentemente foi dada mediante revelação do Espírito Santo. Diz o site:
    A visão inicial da Marcha para Jesus, como qualquer outra ação em que os cristãos empreendem para Deus, está baseado [sic!] no conhecimento e na obediência. Nós acreditamos que Deus diz para nós marcharmos, e esta obediência precede uma revelação. O Espírito Santo de Deus nos conduz em toda a verdade (João 16:13) e a teologia do ato de marcharmos para Jesus emerge quando nós nos engajamos em ouvir o que o Espírito Santo está dizendo para uma Igreja atuante e batalhadora nesta terra.
    Comentário: O parágrafo acima não é claro, mas dá a entender que a visão inicial foi mediante uma revelação de Deus, seguida da obediência da Renascer, em cumprir a visão. Líderes da Renascer negam que a visão inicial foi dada por revelação. Contudo, o parágrafo acima sugere que a visão da Marcha foi dada pelo Espírito para a Renascer. Quando nos lembramos que a Renascer tem um "apóstolo" (uso o termo entre aspas, não por qualquer desrespeito ao líder da Renascer, mas porque não creio que existam apóstolos hoje à semelhança dos Doze e de Paulo), imagino que "revelações" (uso o termo entre aspas não por desrespeito às práticas da Renascer, mas porque não creio que existam novas revelações da parte de Deus hoje) devam ser freqüentes.
  2. Segundo a Renascer, a Marcha é uma declaração teológica: a Igreja está em movimento e está viva! É o meio pelo qual os cristãos querem ser conhecidos publicamente como discípulos de Jesus.
    Comentário: Se esta é a forma bíblica dos cristãos mostrarem que estão vivos e que são seguidores de Jesus, é no mínimo estranho que não encontremos o menor traço de marchas para Jesus no Novo Testamento, ou para Deus no Antigo.
  3. 3. A Marcha é entendida como uma celebração semelhante às do Antigo Testamento, possuindo uma qualidade extremamente espontânea e alegre. Participam da Marcha jovens de caras pintadas, cartazes, roupas coloridas e canções vivazes. Isto é visto como uma celebração do amor extravagante de Deus para o mundo.
    Comentário: Na minha avaliação, o ponto acima dificilmente pode ser tomado como um argumento bíblico ou teológico para justificar o evento. As "marchas" de Israel no Antigo Testamento, não tinham como alvo evangelizar os povos - ao contrário, eram marchas de guerra, para conquistá-los ou exterminá-los, conforme o próprio Deus mandou naquela época. Fica difícil imaginar os israelitas organizando uma marcha através de Canaã, com os levitas tocando seus instrumentos e dando shows, para ganhar os cananeus para a fé no Deus de Israel!
  4. 4. Marchar para Jesus é visto também como um ato profético que dá consciência espiritual às pessoas. Josué mobilizou as pessoas de Israel para marchar ao redor das paredes de Jericó. Jeosafá marchou no deserto entoando louvores a Deus. Quando os cristãos marcham, estão agindo profeticamente, diz a Renascer.
    Comentário: Entendo que se trata de um uso errado das Escrituras. Por exemplo: se vamos tomar o texto de Josué como uma ordem para que os cristãos marchem, por que então somente marchar? Por que não tocar trombetas? E por que só marchar uma vez, e não sete ao redor da cidade inteira? E por que não mandar uma arca com as tábuas da lei na frente? E por que não ficar silencioso as seis primeiras vezes e só gritar na sétima?
  5. 5. Marchar para Jesus traz uma sensação natural de estar reivindicando o lugar no qual os participantes caminham. Acredita-se que assim libera-se no mundo espiritual a oportunidade desejada por Deus: "Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, eu a darei ..." (Josué 1.3).
    Comentário: Será esta uma interpretação correta das Escrituras? Podemos tomar esta promessa de Deus a Josué e ao povo de Israel como sendo uma ordem para que os cristãos de todas as épocas marquem o terreno de Deus através de marchas? Que evangelizem, conquistem, e ganhem povos e nações para Jesus através de marchar no território deles? Que estratégia é esta, que nunca foi revelada antes aos apóstolos, Pais da Igreja, missionários, reformadores, evangelistas, de todas as épocas e terras, e da qual não encontramos o menor traço na Bíblia?
  6. 6. A Marcha destrói as fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas das cidades e regiões onde ela acontece, declarando com fé que Jesus Cristo é o Senhor do Brasil.
    Comentário: Onde está a fundamentação bíblica para tal? Na verdade, este ponto é baseado em conceitos do movimento de batalha espiritual, especialmente o conceito de espíritos territoriais, e em conceitos da confissão positiva, que afirmam que criamos realidades espirituais pelo poder das nossas declarações e palavras.
  7. 7. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.
    Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.
  8. 7. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.
    Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.
  9. 8. Os defensores da Marcha dizem que pessoas se convertem no evento.
    Comentário: Não nos é dito qual é o critério usado para identificar as verdadeiras conversões. Se for levantar a mão ou vir à frente durante os shows e as pregações da Marcha, é um critério bastante questionável. As estatísticas que temos nos dizem que apenas 10% das pessoas que atendem a um apelo em cruzadas de evangelização em massa, como aquelas de Billy Graham, permanecem nas igrejas. Mas, mesmo considerando as conversões reais, ainda não justificaria, pois não raras vezes Deus utiliza meios para converter pessoas, meios estes que não se tornam legítimos somente porque Deus os usou. Por exemplo, o fato de que maridos descrentes se convertem através da esposa crente não quer dizer que Deus aprova o casamento misto e nem que namorar descrentes para convertê-los seja estratégia evangelística adequada.
  10. 9. Os defensores dizem ainda que a Marcha promove a unidade entre os cristãos. Em alguns lugares do mundo, a Marcha é concluída com um "pacto" entre as denominações, confissões e indivíduos, exigindo que cada um deles não faça mais discriminação por razões doutrinárias.
    Comentário: Sou favorável à unidade entre os verdadeiros cristãos. Mas não a qualquer preço e não qualquer tipo de união. A unidade promovida pela Marcha, sob as condições mencionadas acima, tem o efeito de relegar a doutrina bíblica a uma condição secundária. O resultado é que se deixa de dar atenção à doutrina. Em nome da unidade, abandona-se a exatidão doutrinária. Deixa-se de denunciar os erros doutrinários grosseiros que estão presentes em muitas denominações, erros sobre o ser de Deus, sobre a pessoa de Jesus Cristo, a pessoa e atuação do Espírito, o caminho da salvação pela fé somente, etc. Unidade entre os cristãos é boa e bíblica somente se for em torno da verdade. Jamais devemos sacrificar a verdade em nome de uma pretensa unidade. A unidade que a Marcha mostra ao mundo não corresponde à realidade. Ela acaba escondendo as divisões internas, os rachas doutrinários, as brigas pelo poder e as divisões que existem entre os evangélicos. Se queremos de fato unidade, vamos encarar nossas diferenças de frente e procurar discuti-las e resolve-las em concílios, reuniões, na mesa de discussão - e não marchando.
  11. 10. Os defensores da Marcha dizem que ela é uma forma de proclamação do Evangelho ao mundo.
    Comentário: A resposta que damos é que a proclamação feita na Marcha vem misturada com apresentações de artistas gospel profissionais, ambiente de folia e danceteria, a ponto de perder-se no meio destas outras coisas. Além do mais, a mensagem proclamada é aquela da Renascer em Cristo, com a qual naturalmente as igrejas evangélicas históricas não concordariam, pois é influenciada pela teologia da prosperidade e pela batalha espiritual.
É evidente que, analisada de perto, a "teologia da Marcha" não se constitui em teologia propriamente dita. Os argumentos acima não provam que há uma revelação para que se marche, e não justificam a necessidade de os cristãos obedecerem organizando marchas. Não há qualquer justificativa bíblica para que os cristãos façam marchas, nem qualquer sustentação bíblica para a idéia de "dar a Deus a oportunidade" mediante uma marcha, ou ainda de que, marchando e declarando, se conquistam regiões e cidades para Cristo. Se há fundamento bíblico, por que os primeiros cristãos não o fizeram? Por que historicamente a Igreja Cristã nunca fez?
Pelos motivos acima, entendo que os argumentos bíblicos e teológicos apresentados para justificar a Marcha para Jesus não procedem. Nada tenho contra que cristãos organizem uma Marcha para Jesus. Apenas acho que não deveriam procurar justificar bíblica e teologicamente como se fosse um ato de obediência à Palavra de Deus. Neste caso, estão condenando como desobedientes todos os cristãos do passado, que nunca marcharam, e os que, no presente, também não marcham.

OBS: COPIEI E COLEI O TEXTO ACIMA POR CONCORDAR COM O REVERENDO AUGUSTUS NICODEMOS, SALVO A EXCEÇÃO DE QUE CREIO NOS DONS ESPIRITUAIS E NA REVELAÇÃO DE DEUS DADA ATRAVÉS DO DOM DE PROFECIA, LÓGICO QUE, O DOM DE PROFECIA OU A PROFECIA PROFERIDA PELO CRISTÃO AO QUAL DEUS OUTORGOU ESSE DOM, JAMAIS PODE SE SOBREPOR OU IGUALAR-SE EM IGUALDADE A PALAVRA DE DEUS EXPRESSA NAS ESCRITURAS SAGRADAS OU CONTRADIZE-LA, NO MAIS CONCORDO COM O SEU POSICIONAMENTO TEOLÓGICO INTERPRETATIVO EXEGÉTICO SOBRE A 'TEOLOGIA DA MARCHA'.
SOU PENTECOSTAL E CREIO NA MINISTRAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS A IGREJA CONTEMPORÂNEA PARA EDIFICAÇÃO, EXORTAÇÃO E CONSOLAÇÃO DOS SANTOS.

PROFESSOR VALDIR.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ATOS PROFÉTICOS, FEITIÇARIA GOSPEL.


Por Marcelo Lemos

A pergunta que responderemos hoje, em nossa série Doutor Bíblia Responde, poderá nos levar á fúria dos “evangélicos” de nosso tempo. Nosso leitor, André Rodrigues, nos envia a seguinte questão:

“Olá. Gostaria de saber o que são, na verdade, os atos proféticos tão praticados atualmente nas igrejas, e quais as relações (se é que têm relação) com os atos proféticos do Velho Testamento...”.

André, vou responder de modo curto e grosso, para depois expandir mais a resposta. Então, que os “evangélicos” segurem o rojão:

O que são os atos proféticos praticados em (muitas) igrejas evangélicas hoje? São trabalhos de macumbaria, travestidos como mensagem do Evangelho, e roupagem cristã judaizante. Ato profético é feitiçaria gospel!

Qual a relação de tais atos proféticos com os atos proféticos do Antigo Testamento? Não há qualquer relação, pois no Antigo Testamento não havia atos proféticos, pelo menos, não nas configurações neopentecostais.

ANATOMIA DOS ATOS PROFÉTICOS NEOPENTECOSTAIS

Boa parte da Igreja Evangélica de nossos dias foi invadida por práticas pagãs, as quais se enraizaram tão fortemente na mente e no coração das pessoas, que estou convencido de que frequentar uma Igreja Romana seria, anos luz, mais saudável. Claro, refiro-me, somente, as Igrejas Evangélicas que seguem tais práticas. Infelizmente, são muitas; talvez, a maioria delas.

Em ditas “igrejas”, o pastor virou xamã, revestindo-se da mesma mística, e dos mesmos poderes, que antes eram propriedade dos feiticeiros das casas de macumba. Os crentes, assim como os que buscam os terreiros, transformaram-se numa multidão de adoradores mercenários, a procura de um “cristo talismã”, que lhes desamarre os caminhos.

Mas, ainda precisamos relacionar os “atos proféticos” com os trabalhos de macumbaria. Coisa fácil de se fazer. Basta compararmos as duas anatomias. Um trabalho de macumba nada mais é que o homem valendo-se de ritos, e de objetos, a fim de manipular a ação da Divindade (ou das divindades, dependendo do caso).

Jostein Gaarder, na obra “O Livro das Religiões” (Cia. Das Letras), nos fornece uma descrição muito valiosa sobre o que seria a “magia”:

“... o ser humano que se vale de ritos mágicos, ele está tentando coagir as forças e potencias a obedecer à sua ordem – que com frequência consiste em atingir finalidades concretas. Desde que os rituais mágicos sejam realizados corretamente, o mago acredita que os resultados desejados decerto ocorrerão, por uma questão de lógica”.

Se você trocar “mago” por “pastor”, “apóstolo”, ou mesmo “levita”, obterá um retrato fiel da espiritualidade 'evangélica' alimentada por muitas pessoas. Atos proféticos, e pontos de contato (como sabonetes, chaves, e rosas ungidas), possuem a mesma utilidade dos ritos e objetos utilizados em rituais de magia.

Pode ser que alguém nos imagine exagerando, então, vamos pedir a opinião do 'Paipóstolo' Rene Terra Nova, entusiasta e incentivador de “atos proféticos”:

“Mas, o que é um ato profético? É uma expressão, uma atitude visível da Igreja que tem uma referência e um respaldo no mundo espiritual. Digo que o ato profético é uma mensagem enviada ao reino do espírito que ratifica a ação da fé e da Palavra” (Atos proféticos, comando de Deus ou invenção humana?, MIR).

Mensagens enviada ao “mundo do espírito”, a fim de que o “pastor” e o “crente” consigam conquistar alguma coisa desejada no “mundo físico”. Ato profético, portanto, é um meio do homem manipular o mundo espiritual, inclusive a ação dos demônios:

“Se conhecermos a potencialidade da cobertura espiritual, impediremos que o diabo entre em nossas fronteiras, migre pelas bre­chas ou assalte pelas arestas. Os atos proféticos são uma ferramenta de Deus para impedir que sejamos apanhados de surpresa. Na verdade, é uma chamada de Deus para não permitirmos que o diabo adentre no nosso arraial... A realização desses atos emite mensagem no mundo espiritual, imobilizando a atuação do diabo e desatando a ação da igreja.” (Idem).

Em outras palavras, o pastor assumiu o lugar do feiticeiro, especializando-se em manipular as forças espirituais a seu favor. Seu suposto poder é tão grande, que inventou também a Cobertura Espiritual, com o que ameça os rebeldes – os que lhes questiona - de serem amaldiçoados por Deus. Os macumbeiros mais poderosos hoje, estão em cargos de liderança nas ditas Igrejas Evangélicas.

E OS ATOS PROFÉTICOS BÍBLICOS?

Não há atos proféticos na Bíblia, nem mesmo no Velho Testamento. Vamos recordar a definição do xamã gospel Rene Terranova: “Digo que o ato profético é uma mensagem enviada ao reino do espírito que ratifica a ação da fé e da Palavra!”. Em que lugar das Escrituras lemos sobre patricarcas, profétas ou apóstolos realizando atos que eram “mensagens enviadas ao reino do espírito”? Em lugar algum!

O que esses falsários, sabios analfabetos em exegese, fazem, é sequestrar profecias bíblicas, deturpá-las de seu sentido natural e Evangélico, a fim encaixá-las em seus manuais de feitiçaria. Terranova apresenta sua primeira “prova” de que atos proféticos são bíblicos, valendo-se de Genesis 3.15:

“Você sabia que em Gênesis 3, quando Adão e Eva se esconderam atrás das folhas de figueira, Deus estava apontando para a cruz?” (Idem).

Todo cristão que já foi a Escola Dominical sabe que Genesis 3.15 aponta para a Cruz de Cristo; Terranova não fala qualquer novidade aqui. Mas, que Genesis 3 tem de ato profético? Se um ato profético é uma “mensagem enviada ao mundo do espírito”, onde encontramos tal coisa no texto de Genesis 3, ou em qualquer outro texto inspirado pelo Espírito Santo?

O que encontramos em Genesis 3 não é um ato profético, não é um ritual de manipulação do mundo espiritual, mas uma tipologia; ou seja, um evento histórico que simbolizava a Obra de Cristo. Seu objetivo não era manipular o mundo espiritual, como ocorre nos atos proféticos, mas sim ensinar o povo de Israel sobre a realidade que estava por vir: Cristo!

Por esse motivo o Novo Testamento chama o Velho de “sombra”, pois é composto de eventos históricos, e da ritualística da Lei, que simbolizavam a realidade futura, feita presente no tempo na pessoa do Cristo: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Colossenses 2.16,17).

De modo que, os simbos do Antigo Testamento não eram atos proféticos que enviavam mensagens ao “mundo do espírito”, mas sim, símbolos que transmitiam mensagens aos homens, visando ensiná-los na Verdade.

Ainda mais ridícula é a tentativa de identificar atos proféticos no Novo Testamento. Sobre isso Terranova ensina: “A pregação do Evangelho, o batismo nas águas, a ceia do Senhor, a unção com óleo, o dízimo e a oferta são atos proféticos que serão realizados pela igreja, até que o Messias volte”.

Ora, desde quando enviamos mensagens ao mundo do espírito quando comemos do Corpo e do Sangue de Cristo? Desde quando enviamos mensagens ao mundo do espírito quanto somos conduzidos as águas do Batismo? Qual lugar da Escritura ensina tal insanidade? O ensino bíblico sobre a Ceia, por exemplo, é que a mesma consiste em um serviço de adoção a Deus (Liturgia), e uma proclamação publica (feita aos homens!) da mensagem do Evangelho: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha!” (I Cor. 11.26).

Ainda que os seres celestes, de fato, nos assistam na trajetória cristã, inclusive em nossos serviços liturgicos (I Cor. 4.9; 11.10); o Culto Público é prestado a Deus, e somente a Ele; transformar o Culto em uma mensagem enviada ao “mundo do espírito”, a fim de manipular forças espirituais, é paganizar a fé cristã! A simbologia liturgica do cristianismo, em boa parte perdida no pós-puritanismo, não nos coloca em contato com o mundo dos espíritos, mas nos ensina sobre a realidade escatológica por vir:

“O culto, portanto, é uma assembleia de antecipação escatológica. Vejam que Cristo lhe dá esta dimensão quando diz, na instituição da Santa Ceia, substituta da Páscoa judaica: "Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela (a Páscoa) se cumpra no reino de Deus" (Lc 22.16). Toda vez, pois, que se celebra a Santa Ceia o quadro simbólico do culto sacrificial se repete e uma antevisão escatológica se realiza” (Rev. Onézio Figueiredo, citado em Conta-gotas de sabedoria)

O que a simbologia bíblica reflete é uma pedagogia divina, e não um ritual de magia; porém, os xamãs evangélicos querem deturpar até a pedagogia de Cristo. Como todo leitor das Escrituras há de saber, Jesus sempre fez uso de parábolas e ilustrações para transmitir seus ensinamentos; para os feiticeiros evangélicos, o que Jesus fazia era “atos proféticos”. Com a palavra, Rene Terranova:

“Jesus utilizou-se de muitas figuras do reino físico para ilustrar mensagens alusivas ao reino do espírito. Quando disse: destruirei esse templo e em três dias o reconstruirei, Ele falava numa linguagem profética (Jo. 2:19). As pessoas ao ouvirem-no olhavam para um templo físico, enquanto o Mestre aludia-se ao espiritual. Eles diziam: como o Senhor fará tal feito em três dias se nossos pais levaram 40 anos constru­indo esse templo?”.

Observem, apesar de sua fixação pelo tal “reino do espírito”, Terranova não é completo ignorante em exegese. De fato, Jesus se valia de elementos do mundo físico para ilustrar verdades espirituais. Até aqui nada a acrescentar. O que destoa o discurso mágico dos neopentecostais, é alegar (ou mesmo insinuar) que as parábolas utilizadas por Jesus eram “atos proféticos”, os quais são “mensagens enviadas ao mundo do espírito”. Uma parábola é o que uma parábola sempre foi: um método didático, que, obviamente, objetiva ensinar aos homens!

Quando Jesus quis enviar “mensagem” ao “reino do espírito”, Ele não fez uso de parábolas, nem de quaisquer outra classe de figuras, simplesmente ordenou Sua vontade:

“E andava pastando diante deles uma manada de porcos. E os demônios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permite-nos que entremos naquela manada de porcos; e Ele lhes disse: Ide!” (Mateus 8.30-32).

Se Jesus seguisse o manual neopentecostal dos gedozistas, teria feito um ato profético! Talvez, imagino, tivesse ordenado aos discípulos criar um boneco de porco, a fim de arrebentá-lo a pauladas, com muita autoridade, enviando assim, uma mensagem ao “mundo do espírito”, 'liberando' (sic) o caminho de sua pregação. Ou, se o tempo fosse curto, ordenaria que todos levantassem a barra das saias, e saíssem urinando nas cercas do nefasto chiqueiro, demarcando território; coisa bem apropriada para Aquele que é o Leão (risos).

Todavia, o alvo das parábolas, apesar de didático, não era facilitar o entendimento das pessoas, mas sim, forçá-las a meditar mais seriamente nas realidades espirituais nelas inseridas (João 16.29,30). Um outro objetivo das parábolas de Jesus, normalmente negligenciado por pregadores populares, era impedir que os reprobados compreendessem a Mensagem do Evangelho:

“Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado... Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e vendo, vereis, mas não o percebereis!” (Mateus 13.11, 13-14).

Atos proféticos? Não, método didático, assim como as figuras e os rituais do Antigo Testamento.

Que são os atos proféticos feitos em muitas igrejas? São trabalhos de feitiçaria, com roupagem cristã e judaizante, cujo objetivo é manipular o reino dos espíritos, enviando-lhes comandos e ordens. Qual a relação com os atos proféticos bíblicos? Não há relação, pois a Bíblia não ensina nada sobre tal prática. Apesar da Bíblia estar repleta de simbologias, o alvo das mesmas, como vimos, é servir ao ensino dos crentes, e não manipular o mundo espiritual.

Um abraço André; que o Senhor nos ensine a caminhar na simplicidade do Evangelho.

Marcelo Lemos acha que Harry Potter nao tem vocaçao pastoral, e por isso colabora com a subversao do Genizah!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

CINCO PEDRAS É MELHOR DO QUE UMA.









1 Samuel 17 : 40

em seguida pegou seu cajado, escolheu no riacho cinco pedras lisas, colocou-as na bolsa, isto é, no seu alforje de pastor e, com sua atiradeira na mão, aproximou-se do filisteu.






Talves uma das passagens bíblicas mais conhecidas, pelos leitores da Bíblia, seja a batalha entre Davi e o gigante filisteu, Golias. Ouvimos essa passagem do texto Sagrado desde a mais tenra idade, mas sempre ao lê-la, tiramos grandes lições de coragem, ousadia, destemor e muitas outras atitudes heróicas desse homem de Deus, que era um homem incomum, "um homem segundo o coração de Deus" (Atos 13.22) . Davi, sem dúvida, tinha algumas características, que o diferenciavam dos seus irmãos. Acredito que sua confiança em Deus, fosse sua principal, assim como a obediência ao seu pai, Jessé, também o diferenciava dos demais, pois ele estava no campo cuidando das ovelhas de seu pai, enquanto seus irmãos estavam em casa sem nenhuma atividade aparentemente, na ocasião em que o profeta Samuel foi a sua casa obedecendo ao mandado divino para ungi-lo rei sobre Israel no lugar do desviado rei Saul.  Mas o relato ao qual eu quero me ater é esse: "escolheu no riacho cinco pedras lisas" (1 Samuel 17.40), já na passagem citada, Davi, indignado pelo desafio de Golias e pela inoperabilidade do exército de Israel, frente aquele único homem, ele põe em pratica, em ação, seu destemor, "e em nome do Senhor dos Exércitos" derruba aquele adversário, mas momentos antes ele passa por um riacho e pega cinco pedras, e usa uma, para derrubar Golias, usando uma funda (arma bem conhecida em Israel).Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar uma pedra com a funda num cabelo sem errar. (JUÍZES 20.16).


Mas o que me chama a atenção, é o fato de Davi, um homem com tanta fé e confiança em Deus, "pegar cinco pedras" em vez de uma só!!! Acredito eu, a Bíblia, não relata diretamente esse desígnio , mas ao lermos os feitos de Davi, durante sua "fuga da ira de Saul", ele formou um exército de renegados, e por varias batalhas que eles passaram, e em algumas dessas pelejas, Davi enfrentou outros quatro gigantes todos da mesma aldeia (Gate) de onde era a procedência de Golias (1 Cronicas 20, 1, 8), que ele estava preparado não só pra derrubar a Golias, mas se por "um acaso, aparecesse mais alguns" ele já estava preparado. Não quero fazer aqui nenhuma "Achologia", nem acrescentar nenhuma definição ao texto Bíblico, pois as passagens em questão, já servem de elucidação extremamente claras aos leitores, mesmo porque Davi não usou sua "funda" nos outros gigantes, ele teve ajuda de seus bravos "valentes de Davi" para dar cabo a esses incircuncisos também. Todo esse texto acima, em que descrevi, uma "possível" atitude de Davi serve apenas de ALERTA para a Igreja de Jesus nesses dias de desafios que estamos atravessando. É PL122, marcha pra maconha, parada gay, S.T.F atropelando a Constituição dando privilégios a determinados grupos, Kits homopornográficos, etc..etc. Temos que passar pelo riacho, e nos municiarmos, e estar preparados para enfrentarmos os Gigantes que temos pela frente, que estão desafiando a família, desafiando a Igreja, desafiando a sociedade, estão afrontando a DEUS, não sou a favor dessa combinação Politica/Igreja, mas já que a igreja institucionalizada não fez nada para influenciar a sociedade, e nem está preparada para essas questões (assim como estava o exército israelita, sem ação), passemos agora pelos riachos e vamos nos "armando com pedras", quem sabe Deus, no nosso "improviso" não as direcionam na Testa deles! 

PROFESSOR VALDIR.6

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CONTRA FURACÕES E TORNADOS....ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.










EFÉSIOS 5.11-"E NÃO SEJAIS PARTICIPANTES NAS INFRUTÍFERAS OBRAS DAS TREVAS, ANTES PORÉM, REPROVAI-AS."
TEMOS VISTO E OUVIDO, NESSES ÚLTIMOS TEMPOS, ANOS, MESES, SEMANAS, DIAS; MOVIMENTOS "EVANGÉLICOS" DE GRANDES MOVIMENTAÇÕES DAS MASSAS DE MANOBRA, DE HOMENS COM INTERESSES PARTICULARES (COM PRETEXTO DE SEREM DO REINO), MOVIMENTOS QUE SÓ FAZEM CHAMAR A ATENÇÃO PARA SI, E NÃO POSSUEM EM SI MESMO, CARACTERISTICAS DE FORTALECIMENTO E ESTRUTURAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA. SE ESSES MESMOS "HOMENS DE DEUS" APLICASSEM ESSES RECURSOS NA ESTRUTURAÇÃO DE SUAS ESCOLAS BÍBLICAS DOMINICAIS (ISSO É, SE ELES POSSUEM UMA PELO MENOS), TERIAMOS MUITO MAIS RESULTADOS POSITIVOS, TERIAMOS CRENTES MADUROS, E NÃO "MENINOS INCONSTANTES" LEVADOS POR QUALQUER VENTO DE DOUTRINA. MAS ELES APRENDERAM BEM COM NOSSOS "GOVERNANTES' QUANTO MAIS *(INGINORANTE) O POVÃO MELHOR,  OS DOMINAREMOS SEM PERCEBEREM.
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL ENSINA O CRENTE AS VERDADES DA PALAVRA DE DEUS, (E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARA), EM VEZ DA ESCOLA (POIS É CHATA E SEM GRAÇA E O PROFESSOR TAMBÉM), MOVIMENTOS DE GRANDES PROPORÇÕES, COM "GRANDES PREGADORES", QUE NÃO SOMAM EM NADA PARA O REINO DE DEUS, SALVO, RARISSIMAS EXCEÇÕES.
ENCONTREI ESSA MATÉRIA NO BLOG GENIZAH, E RESOLVI PUBLICA-LO.

PROFESSOR VALDIR.



O clima do mundo está mudando. Furações, tornados, geleiras, inundações... Na igreja não é diferente.

Como venta na igreja!

Ventos estranhos, tornados vorazes que castigam a sã doutrina e não apenas tosquiam, mas escalpelam as ovelhas, financeira, emocional e espiritualmente.

A questão do clima global é complexa. As soluções são difíceis e os países tem interesses diferentes, quase impossíveis de se conciliar.

Na igreja, contudo a questão é mais fácil: Há o interesse de muitos e há o interesse de Jesus que está explicitado em Apocalipse 2, indicando uma tarefa a ser assumida nos últimos dias. A tarefa apologética. A partir do verso 19 Jesus começa a falar com a Igreja de Tiatira, verso 19:

"Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras."

Cristo reconhece as qualidades da Igreja porém no versículo 20 vem a exortação:

"No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos."

Como nos lembra um leitor do blog (*) que fez este comentário temos:

“Notem que no verso vinte a oração começa por uma conjunção adversativa, que exprime ideia de contraste e oposição, então Jesus exorta a Igreja por aceitar uma mulher, que se diz profetisa, disseminar um FALSO ENSINO, cuja consequência é uma série de outros pecados. Atual o texto, não? A exortação a Tiatira nos mostra que o falso ensino é perigoso por dar origem a outros pecados. O que acontece com a Igreja, se esta não identificar e combater o falso ensino?”

Obviamente, mais pecados. E a incapacidade de cumprir o IDE. Os falsos ensinos são como agentes que causam câncer em células boas e as fazem crescer desordenadamente até que todo o corpo morra.

Como parar este câncer espiritual? A exortação é dada por quem identifica o falso ensino. Mas a CURA DO CÂNCER é a Escola Bíblica.

A EBD é a instituição levantada por Deus para estes dias para combater a apostasia. Quem conhece as Escrituras Sagradas não se deixa levar por ventos de doutrina.

Algumas denominações, em especial as neopentecostais, oferecem muita apostila e nada de Bíblia. Não aceite isto meu irmão! Nas apostilas estão os falsos ensinos.

Material de apoio é uma benção. Um bom programa também. Produtos de qualidade como os produzidos pela CPAD para pentecostais e por outras editoras e instituições sérias vinculadas a Batistas, Presbiterianos, Anglicanos, Luteranos, Metodistas e outras denominações tradicionais.

Uma aula estruturada e tudo o mais é importante, mas não perca a Bíblia de vista. Tudo o que o falso doutrinador quer é que você deixe a Bíblia na estante.
Vocês não imaginam a nossa felicidade quando descobrimos que um artigo, reportagem, ou vídeo que publicamos está sendo usado como material ilustrativo em uma aula de EBD. E são muitos!
Razões principais para frequentar blogs apologéticos, segundo seus frequantadores.
Os blogs apologéticos são uteis para ilustrar aulas de EBD. Em nossa pesquisa (veja no final), 6.6% dos respondentes informam que visitam blogs apologéticos a fim de obter subsídios para a Escola Bíblica e outros 10,5% para obter subsídios para seus estudos. Glórias a Deus por isto!  

Fico feliz em poder divulgar os resultados desta pesquisa (veja no final),  dando aos blogs apologéticos o peso numérico de sua influência. Contudo, junto com a compreensão desta importância, surge a necessidade  dos blogs apologéticos  assumirem os cuidados relativos a esta responsabilidade.

Percentual dos leitores de Genizah que se declaram professores de EBD (cumulativo)

Meus irmãos, tenham em mente que a superioridade de nossa opção protestante é função da intimidade que  temos com as Sagradas Escrituras. A Escola Bíblica Dominical é a instituição que nos habilita a um contato mais profícuo com o texto sagrado. E por conhecer as Escrituras, podemos discernir sobre o que nos falam.  

Na Escola Bíblica aprendemos a ser mais nobres. (At 17:11)

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Genizah realizou uma pesquisa em outubro do 2010 fazendo uso da ferramenta Monkey Survey oferecendo um questionário para os seus mais de 10,000 leitores diários. Outras questões, enviamos para uma amostra da nossa base de 1,2 milhão de e-mails.  Os gráficos desta matéria são aqueles com resultados relativos a Escola Bíblica Dominical.

O resultado completo desta pesquisa será divulgado oportunamente. Por enquanto Genizah irá escrever artigos acerca de aspectos pontuais dos achados.


(*) Rafael Tavares, em comentário ao blog.

Genizah
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A "DOUTRINA" DA CURA INTERIOR.



“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” 1 Timóteo 4.1

Texto: JO 8. 31,36

Introdução:
Cura interior significa a cura da alma e do espírito do homem, diferentemente da cura física. Neste sentido, a cura interior é uma realidade; o que é falso na teologia da cura interior são os métodos empregados para se obter esta cura interior, bem como o momento em que ela acontece.
A cura interior existe, e hoje você irá aprender o que ela é na verdade e quando ela ocorre.

A teologia da cura interior
Os adeptos desta heresia crêem que após o ser humano entregar a vida para Cristo precisa ser liberto de traumas do passado e, portanto, necessita descobrir estes traumas que tiveram no passado para liberar perdão ou ainda pedir perdão pelo ofensor, pois, caso contrário, sua vida espiritual irá por “água a baixo”.
Como é difícil, segundo eles dizem, lembrarmos sozinhos da nossa vida passada; faz-se necessário à ajuda de terapias de regressão feitas individualmente e muitas vezes em seminários e encontros promovidos por pastores ou até mesmo por irmãos muitas vezes despreparados. Esta moda é bem comum em movimentos como o G12.
Segundo afirmam aqueles que crêem nesta doutrina, a causa de muitos crentes viverem “debaixo de maldições” e terem uma vida derrotada e frustrada, é de não terem sido ainda curados interiormente; por isso o Espírito Santo não pode fluir plenamente em suas vidas.

A verdade sobre a cura interior
1)Primeiramente quero tocar na questão da suficiência do sacrifício de Cristo. Jesus não fez a obra pela metade em nossas vidas, portanto, o que necessitamos é crer no que ele fez e continua fazendo. Leia Jo 13. 10 (Jesus nos limpou de uma vez por todas; todos os pecados do passado foram perdoados, recebemos um novo coração que também é um coração que perdoa; o que precisamos na verdade é nos arrependermos do que fazemos em nosso caminhar cristão e pedir perdão a Deus); II Co 5.17.
Já pensou se o nosso perdão estivesse condicionado a lembrarmos de todos os pecados que fizemos, nos mínimos detalhes! Certamente iríamos ficar em falta.
É justamente por esses motivos que precisamos de Cristo, não somos capazes de conquistar libertação, por isso Jesus veio até nós e não fomos nós que nos aproximamos dele! Is 53.1-5; 61.1-3

Quando é ensinado que após a conversão precisamos descobrir qual tipo de trauma do passado estamos “carregando”, estamos indiretamente dizendo que o sacrifício de Jesus não é suficiente o bastante para nos dar a vitória. A Bíblia deixa clara que o que Jesus fez por nós é completo, a Palavra de Deus inteira nos mostra este princípio. Veja ainda o seguinte texto: Jo 8.36. Não podemos acrescentar algo a mais à conversão para termos uma vida plena de paz.
2)Em segundo lugar, podemos observar que há um esforço humano para solucionar problemas da alma, problemas que somente Cristo pode resolver. Terapias de regressão, mapas espirituais de gerações passadas e outras práticas que demonstram a tentativa fútil do homem se libertar por esforço próprio: Eu perdôo fulano, eu declaro, eu peço a Deus que perdoe beltrano, etc...
E o que Jesus fez? É uma questão de fé! Ele nos perdoou de todos os nossos pecados, isso significa todos os pecados do passado, presente e daqueles que ainda iremos cometer! A Bíblia é bem clara quanto a este fundamento! Por isso que em João 8.35 está escrito que o Filho permanece para sempre; para sempre em que lugar? Em nossos corações! Portanto se ele nos libertou, somos verdadeiramente livres, não existe meio livre ou quase livre; o que ocorre com certas pessoas é que não conheceram a Cristo verdadeiramente ou não tem fé em sua Palavra que é a Verdade, e por isso vivem sofrendo e tentando adivinhar problemas e traumas do passado, uma verdadeira loucura e confusão!
3)Esta heresia ensina que alguém é o culpado do que acontece comigo, ou seja, é ensinado que eu não sou o culpado, mais sim outra pessoa; em outras palavras “ponho a culpa em alguém”, satisfaço o meu ego e está resolvido o meu problema. Por exemplo: Se eu sou rancoroso é porque minha mãe era rancorosa ou porque me batia muito, na verdade ela é a culpada do meu agir rancoroso, portanto basta dizer: Eu perdôo a minha falecida mãe por ter me feito rancoroso e então resolvo o problema. Pelo que você pode perceber, aí é que se comete pecado, porque estou guardando magoa e amargura em meu coração e não estou verdadeiramente perdoando, mais acusando a alguém pelos meus erros e frustrações! Assim fica muito “fácil”; sou rancoroso por causa de alguém, sou lésbica por causa de alguém, sou ladrão por causa de alguém, não tive culpa de nada, sou uma vítima das fatalidades que envolveram a minha vida.
Pior ainda é quando o suposto culpado está vivo e o irmãozinho cai na besteira de ir perdoar o culpado. Chega até o “culpado” e diz: Eu te perdôo por você ter me deixado cheio de traumas; na verdade esta pessoa está acusando a terceiros, quando o certo é pedir perdão a Deus por ter ficado magoado!
Na verdade esta faltando para esta pessoa uma genuína conversão.A cura interior, quando ensinada deste modo, fere os princípios básicos necessários à verdadeira conversão; tais como: reconhecer os próprios pecados, se arrepender, confessar, crer, etc...
Já é estranho um crente ter mágoas e traumas do passado, pois isso não pode ter lugar em nossos corações onde habita o Espírito Santo, entretanto, se por ventura a mágoa tentar entrar, ela deverá ser eliminada pelo confronto com a Palavra de Deus! Hb 12. 15

Vale lembrar uma regra:

a)Meus pecados antes da conversão foram perdoados(At 17.29; Hb 8.12;10. 15-18)

b)Quando alguém nos pede perdão; devemos perdoar!

4)Os adeptos deste ensino precisam compreender ainda que todo homem é pecador (Rm 3.23) e precisa de salvação. Por mais que alguém tenha sido maltratado pelos pais ou por qualquer pessoa que seja, ou tenha passado por situações terríveis, este alguém será culpado pelos seus próprios atos; se não fosse assim, nem todos precisariam de salvação, haja vista alguns terem explicações para agirem de determinada forma.
Todo homem é responsável por seus próprios atos! Ez 18.4,20

5) A salvação compreende um novo nascimento, morrer para o mundo e viver para Cristo. Se verdadeiramente somos novas criaturas, tudo relativo ao nosso passado foi sepultado com Cristo. Leia os textos a seguir: II Co 5.17 e Fp 3.13,14 . É certo que ainda vivemos neste corpo sujeito a muitas limitações por causa do pecado, mais quanto aos traumas do passado, eles devem ser sepultados!

6)Na autêntica conversão, a cura interior ocorre imediatamente, ou seja, um coração transformado pelo Espírito Santo reconhece os seus próprios erros e também perdoa os do próximo. Um coração transformado é um coração perdoador; se ele está cheio de magoas e traumas, não é porque precisa de terapia, e sim de conversão!
O coração de uma nova criatura perdoa o que lhe ofende e não fica guardando ressentimentos!

7)É uma maldade levar alguém a ficar sofrendo lembrando de traumas do passado quando Cristo já apagou todos eles de nossa vida.

Do que o homem precisa ser curado interiormente?

Precisamos da cura do coração.
Todo mal vem de dentro do coração do homem (Mt 15.16-20)
Devemos saber que o homem necessita ser curado interiormente, no entanto precisamos saber também do que ele precisa ser curado.
A Palavra de Deus nos ensina que Jesus levou sobre si as nossas enfermidades. O coração do homem estava distante de Deus e doente; cheio de pecados e de maldade. Cristo morreu para nos libertar do pecado e da morte. Ao derramar o seu sangue na cruz, resolveu definitivamente o problema do pecado e da morte. Quando aceitamos a Jesus Cristo como o Nosso Senhor e Salvador, o Espírito Santo vem habitar em nosso coração transformando este coração em um novo coração onde a mágoa, ódio e ressentimentos não podem achar mais lugar.
Jesus entra aonde nenhum remédio, psicólogo ou psiquiatra pode entrar; ele entra no mais profundo do homem. Quando um crente está se sentindo mal ou frustrado, ele não precisa de terapia, mais de arrepender-se e lembrar de que ele é uma nova criatura!

Conclusão:

Aprendemos que a verdadeira cura interior acontece no momento da conversão e que consiste na transformação de um coração doente em um novo coração. Desmascaramos a heresia da cura interior e estudamos os seus erros.
Fonte: www.igrejasementedavida.com.br


Sábio conselho do apóstolo Paulo:

"Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas, prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus".Fl 3:12-14
 (grifo meu).
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CURA INTERIOR- PRISÃO SEM ALGEMAS.














“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”– Is 53.4-5

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte.” – Rm 8.1-2

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” – 1 Jo 1.9

Qual pessoa não tem problemas? Seja cristão ou não, todos temos imperfeições, defeitos, manias, vícios, uns que não trazem grandes transtornos, outros que realmente atrapalham nossa vida. Porém, se você for cristão, já há a solução para todos os seus problemas: seminários de libertação e cura interior.

É infeliz no amor? Não pára em nenhum emprego? Tem um gênio ruim? Sofre dificuldades financeiras? Possui alguma enfermidade? O diagnóstico é claro: maldições hereditárias e/ou pecados não confessados, que abririam as brechas para que os demônios possam nos atormentar 24 horas por dia (alguns até “chipam” as pessoas para facilitar o monitoramento). A solução? Só passando pelo processo de cura interior.

Basicamente funciona assim: o vitimado por algum mal vai a um seminário de batalha espiritual e cura interior que, dependendo do ministério, pode durar um final de semana ou 7 reuniões, uma a cada semana. No seminário, ouve palestras que utilizam passagens da Bíblia fora de seu contexto (por exemplo, atrelar o fato de terem que tirar os panos que prendiam o corpo do recém-ressurreto Lázaro com o fato de ser necessário tirar os “panos” ou “pecados não confessados” dos já convertidos para que a libertação aconteça de fato), com o intuito de provar que a libertação não vem apenas de Jesus Cristo: é preciso seguir uma série de procedimentos, os quais foram revelados nos últimos tempos aos líderes dessa metodologia (a propósito, como ficaram os trocentos milhões de cristãos desde os primeiros tempos até o século passado, que desconheciam as técnicas de cura interior?). Se o cristão não seguir os procedimentos, continuará com seu espírito ou alma aprisionados nas profundezas, sendo atormentado pelos demônios com doenças e esquisitices. Por isso é que muitos cristãos, segundo os defensores dessa técnica, vivem espiritualmente “mortos”: porque suas almas ou espíritos estão presos, e não podem receber mais de Deus por isso. Essa prisão ocorre por culpa do próprio cristão e de seus ascendentes, que em algum momento autorizaram os demônios a agirem em suas vidas. Para anular essa ação, deve-se rejeitar a tal autorização, e como o demônio (não os líderes cristãos, claro!) é muito legalista, é preciso nomear demônio por demônio, pecado por pecado, e ai do fulano se esquecer de algum! Se esquecer, esqueça a libertação também, pois por esse demoniozinho ou pecadinho esquecido de renunciar sua alma ou espírito continuará preso.

No site do Ministério Ágape de Reconciliação há um formulário que precisa ser preenchido por todos que participam do evento. Os líderes oram e escolhem os casos mais escabrosos para serem ministrados individualmente; o restante recebe as orações e palestras coletivas apenas. Note que o formulário é bastante completo, tem nome de demônio que nunca nem pensei que pudesse existir, nomes de rezas, de religiões, de diversos tipos de envolvimentos que precisam ser lembrados pelo fiel. Mas gente, já pensou se o coitado fez um pacto sem querer com um demônio cujo nome não está na lista, ou fez algo há tanto tempo que não se lembra mais?

Na ministração individual, “privilégio” de poucos, já que o tempo é escasso e são vendidos muitos ingressos para os seminários, um pastor e um intercessor ficam perguntando sobre sua vida, e o intercessor, de acordo com o que você fala, recebe “revelações” do que está espiritualmente por detrás daquilo. Aí ora-se, renuncia-se a tudo o que está no formulário, expulsa-se os demônios, rasga-se o formulário e o cristão está livre, leve e solto!!! Está mesmo?

Não há estatísticas confiáveis sobre quantos são realmente libertos, pois não há o interesse dos ministérios de libertação e cura interior de acompanhar os casos com o passar do tempo. As únicas estatísticas que esses ministérios guardam com alegria (orgulho?) é a de quantos já frequentaram os seminários e cursos. Mas eu entendo isso, o importante é fazer a obra, se o fulano não foi liberto é problema da fraqueza espiritual e da falta de fé dele, nós como ministério somos muito ocupados, tendo que realizar seminários pelos quatro cantos do país, então não há como se preocupar com as vidas: elas que procurem seus próprios pastores.

Até entendo que possa haver alguma boa intenção na busca de tantos crentes por cursos de libertação e cura interior, porém essa doutrina fere o sacrifício de Cristo por nós, tirando Dele e colocando em nós mesmos o poder por nossa libertação. Não adianta nada Jesus ter morrido por mim, se não rejeitei várias vezes (uma vez só não adianta, o bicho é tinhoso) que quando pequena comi uma balinha na festa de Cosme e Damião, e essa bala estava consagrada ao caboclo não-sei-das-quantas (como vou saber, se eu era pequenininha e não sabia o que era caboclo?). O sangue de Cristo não tem poder nenhum sobre mim se eu não confessar os pecados que meu tataravô, aquele escravocrata, ou será escravo, ou será até mesmo algum índio canibal (sou descendente de negros, índios e brancos) cometeu naqueeeela época, e que abriu a brecha para que um demônio qualquer atormentasse pessoas da minha família até chegar a mim, a sortuda que tem a ferramenta da cura interior para me salvar! Mas e aí, como me lembrar dos pecados do meu tataravô? Mal conheci meu avô!!! Ah, mas para isso existem os intercessores, só eles podem ver o passado, presente e talvez o futuro! E, descoberto o problema e feita a renúncia, outra brecha do passado surge e lá vamos nós investiga-la de novo…

A doutrina da libertação e cura interior acaba se tornando uma prisão sem fim, onde demora-se anos para que uma vida seja restaurada, porém onde não há muitas vezes interesse em se perder anos com uma vida quando se pode ministrar vidas ao atacado todas as semanas. Se a ministração é superficial e serve mais para confundir do que para esclarecer não importa, o importante é que estamos fazendo a obra de Deus. Mas Deus disse para substituirmos Seu Filho por métodos?

Jesus disse que veio nos trazer vida e liberdade. Numa sinagoga em Nazaré, Ele abriu o livro do profeta Isaías no capítulo 61:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração de vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor. – Lc 4.18

Então passou Jesus a dizer-lhes: hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. – Lc 4.21

Se já se cumpriu no Reino de Deus a libertação dos cativos e oprimidos, para que precisamos pesquisar nosso passado em busca de todos os envolvimentos malignos? O batismo e o confessar a Cristo não têm poder nenhum?

Têm sim. Quando aceitamos a Cristo como nosso Senhor temos todos os pecados perdoados por Seu sangue e em Jesus somos justificados diante de Deus. Porém essa tem que ser uma verdade em nosso coração, não apenas de boca. O sermos santos não nos impedirá de termos problemas, de sermos atribulados, de sermos perseguidos, pois a boa-nova diz que no mundo teremos aflições, porém Jesus venceu o mundo e, com Ele, somos também vencedores. Cristo nos liberta, quem nos aprisiona são sistemas e doutrinas humanas, cercadas muitas vezes por uma aura mística que lhes denota um poder especial. Não é preciso fazer curso de cura interior para expulsar demônios (os discípulos fizeram?), mas muitos estão fazendo porque a idéia lhes foi muito bem vendida.

Queremos verdadeira cura interior? Peçamos a Cristo que nos faça uma cirurgia cardíaca espiritual, tirando nosso coração de pedra e colocando, em seu lugar, um coração de carne. Rapidinho vamos ver os resultados, e nem precisaremos perder tempo nomeando demônios.

Fonte: [ Uma estrangeira no mundo ]
Recomendo a leitura dos demais artigos desse blog, muito bom conteúdo.